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ANÁLISE NÃO É VEREDITO – AQUI É SOBRE LÓGICA

Parte da coluna de hoje se baseia nas informações e, principalmente, na lógica. Portanto, está sujeita a “chuvas e trovoadas” dos patrulheiros escalados pelos grupos antagonistas (digladiantes). Se analisarmos os fatos simplesmente baseados em lógica, muita gente vai ficar boquiaberta com o jargão esportivo que se assemelha à política: "Futebol não tem lógica". Eu rebato: e política tem? Justifico: nada tem lógica quando se trata de poder ou títulos esportivos. Então, vou seguir meu comentário baseado na lógica, tá?    

A grande imprensa começa a analisar os advogados do réu Bolsonaro. Ainda não mostraram os advogados do grupo que denunciou e fez o pedido de investigação ao STF, que seguiu a lei, deu vistas à Procuradoria-Geral da República, que reforçou o pedido, e a Suprema Corte acatou, ou seja, tornou Bolsonaro réu. Agora começa o julgamento com provas e contraprovas, e quem decide é a Corte.    

Para quem acompanha este espaço, sabe que gosto de comparar a política com o futebol. E aqui ambos se assemelham no que diz respeito ao "patrocínio": quem tem mais dinheiro leva vantagem na formação do plantel de "craques".    

Neste caso, há uma diferença entre o julgamento de Lula e de Bolsonaro. Aqui, Bolsonaro, penso, não terá direito a recorrer caso seja condenado. Ele está sendo julgado pela última instância do Judiciário. Já o Lula foi julgado pela primeira instância, com aprovação da segunda, sediada em Porto Alegre, e imediatamente o mandaram para a cadeia, contrariando, segundo alguns especialistas, a Constituição. Até então, a prisão se daria após “transitar em julgado”, ou seja, quando não houvesse mais possibilidade de recorrer. No caso atual, o Supremo decide, e não haverá mais possibilidade de a defesa recorrer.    

Portanto, os defensores de Bolsonaro foram escolhidos a dedo, pela competência e, creio, porque muitos deles participaram de outros júris no passado, inclusive nos processos em que Lula foi réu. É uma diferença que deverá ser levada em consideração. Agora, repito, as provas deverão ser levadas em consideração.    

Há quem diga que a escolha dos advogados de defesa de Bolsonaro só ocorreu porque eles também participaram do julgamento anterior, no qual o Supremo teve que “voltar atrás” e liberar Lula, que passou a aguardar a próxima eleição, na qual acabou sendo eleito. Esses são os fatos, e fatos são fatos. Ou lógica é lógica – o resto não tem lógica e é apenas conversa “mole pra boi dormir”.    

Alguém deve ter lido até aqui e estar confuso, pensando aonde quero chegar. Vamos, então, ser mais claros. Leia a minha opinião:    

“Desde que iniciou a ‘pendenga’ entre o Supremo e Bolsonaro, comecei a analisar os fatos e cheguei à conclusão: Bolsonaro vai passar pelo mesmo que passou Lula com a ‘República de Curitiba’. A partir de agora, ao ser tornado réu, o jogo é o final do campeonato. Ou é absolvido, ou condenado – e aí, sim, termina o jogo.    

Estou pensando seriamente na possibilidade de uma absolvição. Aí o Supremo mostra sua isenção, que até aqui está dividindo opiniões. Ao mesmo tempo, se absolvido, ameniza as críticas de Bolsonaro, que teve seus direitos cassados porque criticou fortemente o sistema eleitoral brasileiro.    

Outro detalhe importante para mim: a contratação de gente experiente em processos dessa envergadura, que defenderam Lula no passado, mostra outro lado da moeda – ou do “fogo amigo”, se quiserem. Grandes nomes da banca de Bolsonaro foram juristas de Lula e se tornaram amigos de José Dirceu.    

O Zé, como diria Roberto Jefferson, cansou de reclamar da falta de apoio de seu partido e de Lula. Tanto é verdade que a imprensa tem dado grande valor àquele que, no passado, foi a cabeça pensante do PT. Isso pode ter influência em, no mínimo, alguns ministros que foram nomeados quando ele era o chefe de gabinete de Lula.    

É um comentário despretensioso, mas que tem alguma lógica, não?"

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