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Outro entrave para Lula

Coluna Brasília/DF, publicada em 23 de fevereiro de 2025, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito 

Luiz Inácio Lula da Silva abriu o segundo tempo de seu terceiro governo com uma certeza: embora tenha uma relação cordial com os atuais presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), nenhum deles tem com ele a conexão que tinha com aqueles que governaram as casas legislativas quando o petista foi presidente pela primeira vez. De 2003 a 2005, nos seus primeiros dois anos de mandato, o PT comandou a Câmara com João Paulo Cunha. Depois de Severino Cavalcanti, foi Aldo Rebelo (PCdoB-SP), aliado de primeira hora. E, por fim, Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Michel Temer (MDB-SP), que saiu da Presidência da Casa para ser o vice na chapa de Dilma Rousseff ao Planalto. Em todos os casos, um telefonema ao presidente da Câmara ajudava a tirar um projeto de pauta ou acelerar outros temas. Desta vez, quem manda é o colégio de líderes.   

No Senado, também não é diferente. Alcolumbre ajuda o governo, mas sempre deseja algo em troca. Lá atrás, ainda no governo Bolsonaro, como presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Casa, segurou a indicação do ministro André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal (STF). Até aqui, Alcolumbre tem sido aliado do governo. Inclusive, jogou para escanteio a proposta de anistia ao dizer que não era pauta do povo brasileiro.   

Os riscos da reforma   

Na festa de aniversário do PT, no Rio de Janeiro, algumas cabeças do partido se referiam ao ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, como o futuro titular da Saúde. O problema é que, até aqui, ainda não há nada confirmado sobre a presença de outro partido entre os ministros palacianos. Se ficar tudo com o PT, vai ser difícil o compromisso das agremiações de centro com Lula em 2026.   

O candidato   

No ato de ontem, no Rio, Lula discorreu sobre todos os números positivos do governo e lembrou que os militantes vão receber todas as informações para, desde já, promoverem o debate país afora. Para muitos, é sinal de que ele será candidato à reeleição. Com a saúde em dia, não há motivos para arriscar outro nome.   

Enquanto isso, em Brasília…   

O PL se prepara para o ato de 16 de março, em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, e está com o pessoal dedicado ao treinamento de redes sociais, inclusive para responder à delação do tenente-coronel do Exército Mauro Cid — o ex-ajudante de ordens a quem os Bolsonaro têm se referido com termos impossíveis de serem repetidos na frente de crianças.   

A bem da verdade   

Lula mencionou, em seu discurso, que o PT precisa defender a verdade, mas cometeu uma imprecisão ao dizer que “derrotou Fernando Henrique Cardoso”. Na verdade, Lula derrotou José Serra em 2002 e o seu atual vice-presidente, Geraldo Alckmin, em 2006. FHC derrotou Lula em 1994 e 1998. Nas duas vezes, o tucano venceu em primeiro turno.   

CURTIDAS   

Homenageada / O discurso da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, ontem, teve ares de despedida, uma vez que ela deixa o cargo em breve. Sua trajetória foi lembrada em um vídeo exibido na festa. Edinho Silva, ex-prefeito de Araraquara (SP), é o nome de Lula para ocupar a presidência do partido.   

Os incomodados que se mordam / A primeira-dama Janja da Silva foi citada em vários discursos na festa do PT, sobretudo pelo papel que representou no 8 de Janeiro de 2023, ao bater o pé contra a sugestão de instalação de uma GLO (Garantia da Lei e da Ordem) sob comando de militares. Foi fundamental ali e, a contar pelo que disse o presidente, continuará a ter voz ativa a seu lado, tal qual teve Marisa Letícia, mencionada ontem por Lula.   

Equidade de gênero na política / Celebra-se amanhã o Dia da Conquista do Voto Feminino no Brasil. Entretanto, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres ocupam apenas 17,9% das cadeiras na Câmara dos Deputados. Para Ana Paula Aguiar, autora de História, Sociologia e Filosofia, do Sistema de Ensino pH, “o direito ao voto foi um passo essencial na ampliação dos direitos das mulheres, mas projetos educacionais podem formar cidadãos conscientes da importância da participação feminina na democracia”.  

Igualdade de gênero no Parlamento / O novo painel do túnel da Câmara aborda a Pequim 30, marco global de políticas para alcançar a igualdade de gênero e o empoderamento feminino no mundo. A exposição aborda esse tema na política brasileira.   

Em abril / A Frente Parlamentar pelo Livre Mercado (FPLM) vai inaugurar seu próprio espaço no Lago Sul, a Casa Liberdade, em 8 de abril. A ideia é ter um ambiente para realizar eventos semanais, mas mantendo encontros no Senado e na Câmara.

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