Um caso de extrema crueldade contra animais chocou moradores do bairro Menino Deus na noite de segunda-feira (16). O cão comunitário Nino foi brutalmente atacado por um homem que utilizou uma barra de ferro, de aproximadamente 40 centímetros, que chegou a ficar cravada no peito do animal. A ação foi registrada por câmeras de segurança de residências da região, e um boletim de ocorrência foi formalizado.
Conhecido pelos moradores da comunidade, Nino é descrito como um animal dócil e companheiro. “Apesar de ser de porte grande, o Nino é extremamente dócil. Ele nunca fez mal a ninguém. Pelo contrário, é carinhoso, companheiro, e sempre ‘sorri’ quando vê alguém conhecido”, relatou uma moradora da região.
Após o resgate, o cão foi encaminhado para uma clínica veterinária particular, onde passou por cirurgia de emergência. Segundo as voluntárias responsáveis pelo atendimento, o animal está estável e em recuperação. O custo do procedimento foi de R$ 1 340, e a comunidade se mobiliza para arrecadar recursos. Doações podem ser feitas via Pix, pelo telefone 53 9 9710 8100, em nome de Fernanda Cunha.
O caso ocorre em meio a uma crescente preocupação com episódios de maus-tratos a animais no país. Recentemente, o Brasil acompanhou a repercussão da morte do cão Orelha, em Santa Catarina, e autoridades investigam a possibilidade de que parte desses crimes esteja relacionada a desafios disseminados em redes sociais.
Na última semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto que amplia as multas para casos de maus-tratos contra animais. A medida, denominada “Justiça por Orelha”, eleva as penalidades administrativas, que agora variam de R$ 1,5 mil a R$ 50 mil por animal, conforme a gravidade da infração — antes, os valores iam de R$ 500 a R$ 3 mil.
Manifestações sobre o caso
O prefeito de Bagé, Luiz Fernando Mainardi, se manifestou nas redes sociais classificando o episódio como “lamentável” e um “ato de extrema crueldade que não pode ser naturalizado”. Segundo ele, a equipe da Prefeitura passou a acompanhar o caso assim que tomou conhecimento e reforçou que o responsável deve ser devidamente responsabilizado. O chefe do Executivo também destacou que o município não tolera maus-tratos e informou que o cão está sendo assistido.
Relatos de moradores indicam que Nino vive há cerca de três anos na comunidade, sendo cuidado coletivamente após aparecer debilitado na região. Conforme relato de uma moradora, ele sempre circulou livremente pelo bairro, mantendo comportamento dócil e amigável. Na noite do ataque, ele estava próximo à esquina quando foi atingido de forma violenta. Imagens de câmeras de segurança já estão em posse dos moradores, que buscam a responsabilização do autor.