Zeca Brito projeta 2026 como ano da consolidação da Cultura

Em entrevista exclusiva, o secretário de Cultura, Zeca Brito, projeta os rumos da Cultura em Bagé para 2026 e faz um balanço do que foi estruturado ao longo de 2025. Na conversa, ele detalha as prioridades, os projetos que devem ganhar força neste ano, a retomada de grandes eventos culturais, os desafios na área do patrimônio histórico e as expectativas em torno de antigos sonhos da classe artística, como a criação de um teatro municipal. 

 

Zeca Brito também aborda temas centrais para a cidade, como o futuro do Clube Comercial e a organização do Carnaval de Bagé.

 

FS – O que o bageense pode esperar da Cultura em 2026? O que não foi feito em 2025 e neste ano deve ser um dos destaques?

Zeca Brito – A cultura é uma prioridade para a gestão municipal, pois Bagé é uma matriz cultural para todo Rio Grande do Sul. Para além da cultura das tradições gaúchas, que aqui são genuínas, temos o mais antigo Instituto Municipal de Belas Artes em atividade no RS, temos a primeira Casa de Cultura do Rio Grande do Sul, temos o maior conjunto patrimonial tombado pelo Estado. Temos museus com acervos riquíssimos e estamos em uma posição estratégica para o intercâmbio cultural com o Mercosul. 

 

A cultura é prioridade em Bagé por questão de desenvolvimento, pois ela tem sido nossa base civilizatória e nos apresenta reais perspectivas de futuro.

 

Em 2026, vamos recuperar o calendário anual de eventos dando continuidade a tudo que recriamos em 2025, a continuidade da Galponeira, a continuidade do Carnaval, da Feira do Livro, do Natal. Nosso desafio é resgatar o Festival Internacional de Música no Pampa, o FIMP, o Festival Internacional do Churrasco, o Dança Bagé e o Salão Municipal de Artes Plásticas.

 

FS – Em relação a projetos na área cultural, alguma novidade?

Zeca Brito – O ano será marcado pela nossa parceria com o Ministério da Cultura e Governo Federal, todos os recursos que buscamos ao longo do ano serão aplicados no calendário de 2026. Teremos o projeto Revelando Bagé, que busca identificar talentos na área da música e das artes visuais. 

 

Teremos a revitalização do CDE e Odessa Macedo, com nova sede na Vila Vicentina e ampla oferta de cursos e oficinas nas áreas da educação artística. Teremos o projeto MoviCéu, equipamento móvel que vai descentralizar a cultura nos bairros e zona rural de Bagé. 

 

Vamos realizar o Fórum de Governança Cultural pela segunda vez e um Simpósio de Escultura Contemporânea. Teremos uma semana inteira voltada à educação patrimonial, onde vamos receber arquitetos de renome e professores que pensam o papel do patrimônio no desenvolvimento cultural e turístico. Teremos o fortalecimento do 

Festival de Cinema, nesta edição realizado em parceria com a Assembleia Legislativa do RS. Teremos os editais da PNAB, que vão destinar mais de R$ 800 mil.

 

FS – Sobre o Clube Comercial: qual é a real situação?

Zeca Brito – Hoje o Clube Comercial tem a cultura como principal finalidade e entrelaçada ao seu destino. Foi o que justificou sua municipalização. Estamos iniciando a elaboração de um projeto de ocupação, em diálogo com o Ministério Público.

 

Existem questões estruturais que nos impedem de utilizar o prédio, problemas elétricos, hidráulicos e telhados. 

 

A Secretaria de Planejamento tem uma equipe de arquitetos dedicados exclusivamente ao projeto, enquanto nós- a Secretaria de Cultura – estamos buscando recursos junto ao Governo Federal: nossa principal iniciativa foi inscrever o Clube Comercial como projeto a ser integrado ao Programa de Aceleração do Crescimento, PAC Cidades Históricas, onde solicitamos um investimento de R$ 6 milhões para recuperação do prédio.

 

FS – Outro sonho é um teatro. Bagé poderá ter um teatro algum dia?

Zeca Brito – Meu pai, Sapiran Brito, principal responsável por, hoje, eu ser secretário de Cultura, tinha o Teatro Municipal de Bagé como seu principal projeto de vida. Tenho obrigação de dar continuidade neste sonho e farei o que for possível para que aconteça. 

 

Tenho certeza que o prefeito Mainardi também quer esse teatro. No nosso primeiro ano, precisávamos colocar a casa em ordem e recuperar os grandes eventos. Acredito que nosso principal desafio daqui para a frente seja a recuperação patrimonial, e, nesse pacote, o Teatro Municipal.

 

FS – O Carnaval deste ano será competitivo e nos dias oficiais do evento?

Zeca Brito – O Carnaval popular de Bagé, projeto liderado pelo município, abraça a diversidade dos muitos carnavais. Nossa missão na secretaria foi calendarizar e oficializar todas as manifestações, até mesmo aquelas que faziam a festa como um ato de resistência, por não poder contar com o poder público. 

 

Por isso, o Carnaval de Bagé começa neste dia 10 de janeiro com o Samba na Praça e vai até o final de fevereiro, abraçando no seu calendário orquestras, blocos burlescos, blocos carnavalescos, blocos históricos, escolas de samba e as duas entidades do Carnaval de Bagé: a Liga do Carnaval do Meio-dia e a LIBES. 

 

Nosso carnaval não será competitivo, terá datas anteriores ao carnaval oficial, mas teremos desfiles nas datas do carnaval oficial e teremos desfiles e apresentações posteriores a data oficial.