UE aprova acordo com Mercosul após 25 anos

Os embaixadores da União Europeia aprovaram a assinatura do acordo comercial com o Mercosul, concluindo um processo iniciado há mais de 25 anos. O tratado deve se tornar o maior já firmado pela UE e foi viabilizado após meses de articulações diplomáticas para garantir o apoio de Estados-membros estratégicos.

 

A Comissão Europeia, juntamente com países como Alemanha e Espanha, defende o acordo como peça-chave diante das tensões comerciais globais. O pacto é visto como instrumento para diversificar mercados, compensar tarifas impostas pelos Estados Unidos e reduzir a dependência da China, sobretudo em matérias-primas estratégicas.

 

A principal resistência vem da França, maior produtora agrícola do bloco, que teme prejuízos aos agricultores europeus com a entrada de produtos do Mercosul a preços mais baixos, como carnes e açúcar. Protestos rurais já ocorreram em diversos países, refletindo a pressão interna que acompanha a consolidação do acordo.

 

Para o Brasil*l, o tratado é visto como oportunidade estratégica para diversificar exportações e ampliar vendas de produtos com maior valor agregado em um mercado sofisticado. Mesmo antes de entrar em vigor, a UE já é um parceiro central do agronegócio brasileiro, com destaque para carne bovina, café, soja, frango e celulose.

 

Caso seja implementado, o acordo prevê redução ou eliminação de tarifas para diversos produtos agrícolas, mas inclui salvaguardas para proteger setores sensíveis europeus, como um gatilho automático contra aumentos expressivos de importações. As exigências ambientais seguem como ponto de tensão, elevando custos e favorecendo grandes produtores, enquanto a resistência de agricultores europeus permanece como um dos principais desafios políticos ao pacto.