Tutora detalha rotina e cuidado com Nino após ataque

O caso de violência contra o cão Nino, no bairro Menino Deus, gerou comoção em Bagé. Em meio a toda a onda de solidariedade, em menos de 24 horas, a vaquinha para pagar a cirurgia e as medicações necessárias para o cachorrinho atingiu o valor total. Muitos leitores também se disponibilizaram a adotar o animal. Acontece que Nino tem família, casa e uma rotina de cuidados. O termo, segundo a tutora Larissa Rezende, reflete o apoio da vizinhança, e não abandono. Ela relatou à reportagem a história do cão mais famoso de Bagé no momento.

Nino chegou à família após seguir o sobrinho de Larissa até a residência. Debilitado, foi acolhido com água e comida e, aos poucos, passou a fazer parte do dia a dia da casa. “Ele que nos adotou”, resumiu Larissa. Hoje, mesmo com o envolvimento de outras pessoas do bairro, ele pertence à família, que responde por seus cuidados. “Todo mundo gosta muito do Nino. Ele é muito querido por todos aqui; até quem não gosta de cachorro, na vila, gosta dele. O nome é Nino, mas o apelido é Sorriso, porque ele tem a mania de ‘sorrir’ para todo mundo”, contextualizou.

“Nós somos os tutores dele, mas dizemos que ele é comunitário porque todos aqui ajudam, inclusive com medicação. Já temos mais dois cachorros recolhidos da rua, então a vizinhança inteira colabora. Todos são muito solidários. Por isso afirmamos que ele é comunitário, pois seria egoísmo dizer que apenas nós cuidamos dele, quando, na verdade, todos ajudam”, esclareceu Larissa.

Durante a noite, os cães ficam no pátio, onde a família tenta mantê-los seguros. Pela manhã, com a abertura da garagem — onde funciona uma estofaria —, Nino costuma sair para dar uma volta pela rua, mas permanece nas proximidades e retorna para casa, onde já tem um hábito diário: o “pãozinho” da manhã, sempre aguardado com latidos.

“A rotina dele, basicamente, é: quando ele aceita dormir dentro de casa, lá nos fundos, de manhã cedo meu padrasto abre a estofaria na garagem, então não tem como manter fechado. Aí ele sai — todos eles saem — dão uma voltinha, mas ficam sempre por perto, não saem daqui da rua. É uma rua reta, então a gente consegue ficar de olho, e temos câmeras aqui também”, explicou. “Inclusive, estamos correndo atrás para conseguir colocar mais câmeras, porque, assim como aconteceu com o Nino, pode acontecer com qualquer outro cachorro”, acrescentou.

“O Nino é assistido por nós, mas aqui na rua há muitos cachorros abandonados, e a gente não consegue dar assistência a todos como damos a ele. E, se acontecer com outro, talvez não tenha a mesma sorte (do Nino)”, ponderou Larissa, ao sugerir que quem tem vontade de adotar um cãozinho busque por esses que estão sem uma família.

Ela esclareceu que, por ter vivido muito tempo nas ruas, o comportamento de Nino ainda inclui tentativas de fuga, o que dificulta mantê-lo restrito. Sim, ela admitiu, na maioria das vezes, as tentativas de fuga são bem-sucedidas. Mesmo assim, a família adota medidas para protegê-lo, como vigilância constante e uso de câmeras, e considera agora estruturar um canil para evitar perigos.

 

Ação da comunidade foi determinante

A relação com a comunidade sempre foi fundamental na vida de Nino e, quando ele mais precisou, não foi diferente: foi justamente esse cuidado que garantiu o pronto socorro após o covarde ataque. Em síntese, após o ocorrido, o socorro contou com a mobilização de moradores, que garantiram atendimento veterinário e arrecadaram recursos em poucas horas.

Aliás, ela relatou como tudo ocorreu: Nino foi atacado com um pedaço de ferro, que ficou cravado em seu corpinho. “O fato aconteceu mais ou menos entre 21h30min e 22h. Ele estava na rua, porque meu padrasto tem uma estofaria que funciona na garagem, e é a garagem que dá acesso ao pátio onde a gente tenta deixar o Nino. Mas não adianta: ele foge por qualquer fresta. É um cachorro muito grande e bruto, sai derrubando tudo e quer ir para a rua, não tem quem segure”, mais uma vez, contextualizou.

“Meu padrasto estava sentado aqui na frente, olhando o jogo, cuidando um pouquinho, quando o Nino subiu para a esquina e nós ouvimos o grito dele. Ele já desceu pedindo ajuda, o pobrezinho, desesperado, com os outros cachorros que a gente tem aqui ao redor”, acrescentou sobre os momentos de tensão antes do socorro. Ela mencionou que foram as vizinhas do lado da casa que acionaram o veterinário, o que garantiu que, na mesma hora, o animalzinho fosse atendido. “Ele foi atendido pelo veterinário e voltou no dia seguinte, porque estava muito abatido lá, já que é muito apegado aos cachorros daqui e a nós também”, citou. “Quando chegou em casa, já era outro cachorro, mais animado e se recuperando super bem”, garantiu.

Em recuperação, Nino segue cercado por atenção e afeto. Para a tutora, o mais importante é deixar claro: embora seja querido por todos e cuidado por muitos, ele tem lar, tem família e não está desamparado.