A Secretaria de Saúde e Atenção à Pessoa com Deficiência de Bagé e a 7ª Coordenadoria Regional de Saúde manifestaram, em nota conjunta, apoio à implantação do curso de Medicina no campus Bagé da Universidade Federal do Pampa (Unipampa). Para os órgãos, a iniciativa representa um passo estratégico para o fortalecimento da rede pública de saúde em toda a região da Metade Sul do Estado.
O posicionamento destaca o alinhamento entre o Município e a estrutura regional de saúde quanto à necessidade de ampliar a formação de médicos no interior do Rio Grande do Sul, diante da carência histórica de profissionais e especialistas. A proposta articulada pela universidade é considerada adequada às demandas reais do território, com potencial para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS), ampliar a infraestrutura assistencial e estimular a fixação de profissionais na região.
Na nota, os órgãos ressaltam que o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) cumpre seu papel ao zelar pela qualidade da formação médica. No entanto, ponderam que referências genéricas a resultados de avaliações nacionais não podem desconsiderar que os melhores desempenhos seguem concentrados em universidades públicas federais e que a própria Unipampa já mantém curso de Medicina com desempenho satisfatório. Vale lembrar que o Conselho criticou a novidade e a considerou “populista”.
Atualmente, lembrou Secretaria e coordenadoria, Bagé e os municípios de Aceguá, Candiota, Dom Pedrito, Hulha Negra e Lavras do Sul, que somam mais de 170 mil habitantes, contam com uma taxa de 1,88 médicos por mil habitantes. O índice está abaixo da média do interior do Estado, de 2,25, e distante da média estadual, de 3,42. Segundo a Secretaria e a Coordenadoria, essa defasagem compromete a oferta de especialidades, a resolutividade da rede e a capacidade de atendimento à população.
Como reflexo da insuficiência de profissionais, cresce o número de pacientes encaminhados para tratamento fora da região. Apenas em 2025, a Prefeitura de Bagé destinou R$ 6 milhões exclusivamente ao transporte de pacientes para atendimentos em áreas como oncologia, neurologia, cardiologia, radioterapia e ortopedia.
Para os órgãos, a implantação do curso tende a impulsionar a ampliação da infraestrutura de saúde, fortalecer os serviços existentes e contribuir para a permanência de médicos na região. Diante desse cenário, as instituições reafirmam que a criação do curso de Medicina da Unipampa em Bagé é uma medida legítima, necessária e urgente para o desenvolvimento regional e para a qualificação da assistência em saúde.

