Orizicultura gaúcha cobra crédito, seguro e equidade

 

A 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas foi iniciada em Capão do Leão, na sede da Embrapa Clima Temperado, reunindo lideranças, produtores e especialistas para debater o tema “Cenário atual e perspectivas: conectando campo e mercado”. O painel de abertura destacou os desafios enfrentados pela orizicultura gaúcha em um momento de forte pressão econômica, com discussões que seguem até 26 de fevereiro.

 

O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul, Denis Dias Nunes, afirmou que o setor vive um cenário complexo, marcado por estoques elevados, volatilidade de preços, endividamento, dificuldade de acesso ao crédito e juros incompatíveis com a atividade. Ele também alertou para fraudes na tipificação do arroz e defendeu mais equidade regulatória, cobrando que concorrentes nacionais e internacionais cumpram as mesmas exigências trabalhistas, ambientais, tributárias e sanitárias impostas aos produtores gaúchos.

 

Entre as principais reivindicações do setor estão a ampliação de um seguro rural robusto e acessível, linhas de crédito compatíveis com os custos reais de produção e melhorias na infraestrutura logística para escoamento e armazenagem. Nunes comparou o apoio estatal ao produtor brasileiro com o de países como os da União Europeia e os Estados Unidos, destacando que, no Brasil, a participação do Estado na renda agrícola é significativamente menor.

 

O diretor-executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Clima Temperado, Clênio Pillon, ressaltou a revolução tecnológica no campo nas últimas décadas, com avanço da agricultura de precisão e aumento expressivo da produção nacional de grãos. Ele destacou que o Brasil passou de importador a protagonista global na produção de alimentos, mas ainda enfrenta o desafio de ampliar a soberania na produção de insumos estratégicos.

 

Representantes do Instituto Rio Grandense do Arroz, do Sistema Farsul e da Secretaria da Agricultura reforçaram a preocupação com a queda na rentabilidade do produtor, que recebe menos de R$ 1,25 por quilo de arroz. As lideranças defenderam mais investimentos em pesquisa, estímulo ao consumo do cereal e prioridade ao Rio Grande do Sul nas políticas federais, destacando o peso do agronegócio na economia estadual e nacional.