Nos últimos dias, moradores de toda a região têm convivido com um calor intenso até mesmo para este período do ano, com temperaturas superando 30°C e sensação térmica quase batendo os 40°C. Registros regionais recentes mostram que o Rio Grande do Sul chegou a experimentar, nas últimas semanas, marcas que figuram entre as mais altas das décadas — reflexo de uma onda de calor que vem mantendo o termômetro elevado em muitos municípios da região.

 

Esse calor tem influência direta na saúde e é importante a atenção a alguns hábitos diários e adotar cuidados para garantir o bem-estar nos dias mais quentes, especialmente entre idosos e crianças.

 

De acordo com o médico Fhelipe Monteiro de Aquim, o calor extremo gera impacto nos atendimentos de emergência e a procura por prontos-socorros aumenta significativamente. 

 

“Existe uma correlação direta. Estimativas indicam altas de 15% a 30% em períodos críticos”, aponta. Ele alerta que o calor extremo não causa apenas problemas novos, mas atua como um “gatilho” que descompensa doenças crônicas pré-existentes, levando a crises hipertensivas, arritmias e quadros de desidratação severa.

 

“As altas temperaturas exigem que o corpo trabalhe dobrado para manter a temperatura interna estável. Quando esse mecanismo falha, surgem: insolação e intermação, que é a elevação da temperatura corporal acima de 40°C, podendo causar confusão mental e falência de órgãos; desidratação, que é perda excessiva de líquidos e eletrólitos; a chamada síncope pelo calor, que são desmaios causados pela queda da pressão arterial; agravamento cardiovascular porque o coração precisa bater mais rápido para resfriar o corpo, o que aumenta o risco de infarto e AVC em pessoas vulneráveis”, explica.

 

Aquim explica que, para evitar o colapso do sistema termorregulador, as medidas preventivas são fundamentais, como hidratação proativa, cuidados com alimentação e com o vestuário. “Não espere sentir sede. Beba água regularmente. Use roupas leves, claras e de tecidos naturais. Faça refeições leves, ricas em frutas e verduras; evite alimentos gordurosos e álcool”, indica.

 

Outro ponto destacado pelo Médico é o ambiente. “Manter locais ventilados e, se possível, usar umidificadores ou toalhas úmidas em dias de umidade muito baixa”, complementa.

 

Fhelipe de Aquim lembra que, embora o calor afete a todos, alguns grupos possuem menor capacidade de adaptação térmica e precisam de cuidados redobrados. “Portadores de doenças crônicas, como hipertensos, diabéticos e pessoas com problemas renais ou cardíacos; trabalhadores externos, que ficam expostos diretamente ao sol nas horas de pico; e pessoas com mobilidade reduzida, que podem não conseguir acessar água por conta própria”, alerta.

 

Idosos e crianças também precisam de atenção. “O processo de envelhecimento reduz a sensibilidade à sede. O idoso pode estar desidratado e não sentir vontade de beber água. Uma dica importante é oferecer água a cada hora, monitorar a cor da urina (deve estar clara) e observar sinais de sonolência excessiva ou confusão mental repentina. 

 

Já crianças pequenas geram mais calor metabólico e suam menos que os adultos, aquecendo mais rápido. Oferecer líquidos constantemente, evitar brincadeiras ao ar livre entre 10h e 16h e nunca deixá-las dentro de veículos estacionados, mesmo que por poucos minutos”, orienta.