Calor e pouca chuva elevam risco de déficit hídrico

A semana que inicia acende um alerta no campo do Rio Grande do Sul, especialmente em um período considerado crítico para a safra de verão. Embora a produção agrícola venha evoluindo de forma satisfatória na maior parte do Estado, algumas regiões já começam a sentir os efeitos do déficit hídrico, segundo análise da meteorologista Estael Sias, da MetSul.

As boas condições observadas até agora foram favorecidas pelos altos volumes de chuva registrados em novembro e dezembro. No entanto, após as precipitações mais expressivas no início de janeiro, associadas a um ciclone e à passagem de uma frente fria, houve uma redução significativa das chuvas em grande parte do território gaúcho. A tendência é de que o mês termine com acumulados abaixo da média histórica em diversos municípios.

Para os próximos dias, o cenário não é favorável. A previsão indica uma semana marcada por calor intenso e chuvas muito irregulares. As temperaturas devem ficar em torno ou acima dos 35°C na maioria das cidades, com registros próximos ou até superiores a 40°C em alguns pontos, aumentando o estresse térmico nas lavouras.

Com a combinação de calor intenso e falta de chuva, a evapotranspiração do solo se intensifica, acelerando a perda de umidade disponível para as plantas. Esse processo eleva de forma significativa o risco de estiagem, mesmo que de curta duração, sobretudo em áreas com solos rasos ou de menor capacidade de retenção de água.

Além do calor, a chuva prevista para a semana tende a ser mal distribuída. Embora possa chover em algumas áreas, os volumes devem ser baixos e irregulares, com possibilidade de que certos pontos sequer registrem precipitação. Apenas locais muito isolados podem ter chuva mais volumosa, associada a temporais típicos de verão, o que mantém o cenário de atenção para a agricultura gaúcha.