Portela homenageia Príncipe Custódio e reforça ligação com Bagé

por Luciano Madeira

Nascida em Osvaldo Cruz, no bairro de Madureira, que é conhecido como o reduto do samba, a multicampeã do carnaval carioca, a Portela, será a terceira escola a desfilar no domingo, dia 15 de fevereiro, e levará para a Marquês de Sapucaí o enredo O Mistério do Príncipe do Bará – A Oração do Negrinho e a Ressurreição da sua Casa sobre o Céu do Rio Grande.

Em síntese, o enredo da Portela contará a vida de Custódio Joaquim de Almeida, considerado um dos pilares da cultura africana no Rio Grande do Sul e do fortalecimento da negritude no Sul. Príncipe Custódio também morou em Bagé, no local que até hoje é conhecido como Passo do Príncipe, inclusive um dos principais bairros da cidade. Na Rainha da Fronteira, o príncipe viveu após deixar a África, seu país natal.

Na manhã desta sexta-feira, 23, a vice-presidente da Portela, Nelci Fran, que está em Bagé desde quinta-feira, 22, após visitar ensaios de entidades carnavalescas e ministrar uma oficina no Instituto Municipal de Belas Artes (IMBA), esteve na redação do jornal Folha do Sul. Acompanhada do secretário de Cultura, Zeca Brito, ela falou sobre o convite para vir ao município e sobre o enredo da Portela que homenageia o Príncipe Custódio.

Ao ser questionada sobre como surgiu a ideia de homenagear Custódio, a portelense disse que a escola, e principalmente ela, está muito emocionada com a escolha do enredo, porque Custódio foi o homem que trouxe a força da negritude e da espiritualidade para Bagé. Segundo ela, a Portela está totalmente imbuída, unida e emocionada para levar o que será um dos maiores desfiles da sua história, pois irá falar do batuque, da negritude do Rio Grande do Sul e enfatizar que Bagé foi a cidade onde o Príncipe Custódio morou por muitos anos “e onde o batuque tem essa força que a espiritualidade traz”.

Nelci afirmou que vai visitar alguns terreiros locais. “Sou uma mulher do candomblé, ekedy de Oyá, e Iansã é o meu caminho, e sei a força que esta santa tem aqui, além da força de Xangô e Exu”, afirmou. Nelci disse que foram feitas diversas pesquisas, pois toda escola, quando está aberta à escolha de um enredo, realiza um extenso trabalho de estudo por parte dos carnavalescos. Segundo ela, foi uma paixão conhecer essa história, um canto de Bagé que muitas pessoas nem sabiam da força da espiritualidade existente e do número de terreiros que havia no local.

“Que nunca mais seja a mesma”
Desde 2017, a Portela não vence o carnaval carioca e, segundo a vice-presidente, este ano, com o enredo sobre Custódio, a escola pede que tanto Custódio quanto Bará tragam essa vitória, para que a Portela possa ser a grande campeã do Carnaval e para que Bagé nunca mais seja a mesma.

Sobre como surgiu o convite para vir a Bagé, Nelci explicou que tem um trabalho extenso nas redes sociais e desenvolve uma forte atuação cultural e social, além de realizar projetos. “Coordenei a ala de passistas da Portela por 26 anos e tenho uma relação muito forte com a cultura. Foi através do secretário Zeca Brito que recebi o convite, aceitei e estou muito feliz. Realizamos um workshop com a sala lotada. Como professora de samba e vice-presidente da Portela, não tenho muito tempo para exercer tudo isso, porque, se cheguei até aqui, foi com o samba no pé, como professora, passista e coreógrafa”, destacou.

Questionada se Bagé tem boas sambistas, Nilce disse que, pelo que viu, a cidade está no caminho certo, pois as pessoas são apaixonadas pelo samba e pelo Carnaval. Segundo ela, o amor e a paixão facilitam o aprender, o compor, o tocar e o sambar. “Encontrei pessoas que tocam com qualidade e pessoas que sambam, e podemos fazer uma parceria com a Prefeitura para aprimorar, ajudar e trazer a força do nosso conhecimento do Rio de Janeiro. Estamos aqui em Bagé para aprimorar todo esse trabalho com muito amor e muita dignidade com as pessoas do samba”, enfatizou.