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Projeto é aprovado sob vaias e aplausos

Foto: Márcia Sousa
Momento da votação do projeto mais discutido dos últimos tempos

Quando faltavam alguns minutos para a meia-noite dessa terça-feira, o voto de minerva (desempate) do presidente da Câmara de Vereadores, Augusto Lara (PTB), aprovou o projeto que muda a forma de cobrança do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) em Bagé. A declaração de voto foi abaixo de vaias por parte de empresários contrários a essa proposta e por aplausos de CCs da prefeitura, que compareceram em peso para acompanhar a votação. Houve troca de insultos entre esses grupos durante a noite. E princípio de tumulto quando as extraordinárias estavam encerrando.

Os trabalhos começaram por volta das 8h30min. Com quase 15 horas de atividades, o projeto mais polêmico até então da gestão atual foi aprovado de forma apertada - com um voto de diferença, que foi o de desempate.

Ao longo do dia houve medição de força de poder, entre oposição e situação. Mandados de segurança que foram impetrados pelos vereadores Caio Ferreira (PDT) e Flávius Dajulia (PT) foram indeferidos pela Justiça.

Quando o plenário começou, enfim, a votar, à noite, pouco a pouco os vereadores da base governista foram sepultando as emendas apresentadas pelos vereadores da oposição e do vereador da base Cleber Zuliani Carvalho (PP), que votou contra a proposta.

Do total de nove emendas apresentadas, duas foram aprovadas (feitas pela base governista) e sete rejeitadas dos vereadores contrários ao projeto do IPTU da forma como foi apresentado.

O tempo todo os governistas denominaram o projeto como "justiça tributária" e os da oposição rebatendo que era aumento de IPTU.

Para deleite da plateia, as manifestações dos vereadores, nas declarações de votos, levavam os seus apoiadores ao delírio conforme o interesse de cada grupo.

Hora da decisão

Como se estivesse em um estádio de futebol, os grupos se inflamaram na hora que houve empate de 8 a 8 na votação e o presidente do Legislativo teve que decidir a favor do governo. Assim que Augusto começou a dizer que a decisão era calçada no bem da maioria - segundo ele, 55% da população de Bagé - as vaias ensurdeceram o Plenário Lígia Almeida e logo os CCs revidaram com aplausos. O presidente teve dificuldades para fazer a declaração de voto. "Eu voto não pelas vaias de quem está aqui, eu voto é com o silêncio de homens e mulheres trabalhadores", cutucou. Daí em diante a manifestação do presidente foi abafada pela gritaria nas galerias.

Ataques e contra-ataques

Com a noite avançando, os vereadores protagonizaram um duelo verbal no plenário - no momento das declarações de voto. O que mais ocupou o microfone foi o vereador Flávius Dajulia.

O duelo se deu em torno das emendas e de uma mensagem retificativa do governo.

A cada manifestação da oposição, o presidente da Casa foi enérgico com os vereadores em relação ao tempo e para não fugirem da pauta. Caio Ferreira, por exemplo, reclamou que não houve tempo hábil para discutir o projeto. As isenções foram o maior motivo de alfinetadas, com a situação cutucando os vereadores do PT.

Pega-ratão

Flávius Dajulia chamou a mensagem retificativa do governo referente às isenções de "pega-ratão". O petista argumentou que ela ilude a população, segundo ele, com isenções vitalícias que não acontecerão na prática. "E ainda diz que vão entregar certificados para as pessoas, fazendo um grande circo na cidade", alfinetou.

O líder do governo, vereador Rodrigo Ferraz (DEM) reagiu a declaração do petista ao garantir que as isenções serão permanentes para os residenciais faixa um. "São as pessoas mais necessitadas, os residenciais faixa um abrigam mais de 25 mil pessoas em nossa cidade", rebateu.

"Podem filmar"

O vereador Rafael Fuca (PTB) estava incomodado com o barulho das galerias e reclamou de falta de respeito. Depois, emendou: "Tenho posição, podem filmar e podem escutar que aqui dentro é o parlamento e estou bem calçado pelo voto popular". Em outro momento, o petebista acentuou que o projeto foi amplamente discutido, que se foi o momento em que o parlamento de Bagé era liderado somente por professores, médicos e advogados. "Agora o povo, a comunidade e os que mais precisam têm voz e vez nesta casa", sentenciou.

Claudia Messias reage

Única vereadora que assumiu uma vaga na condição de suplente e foi poupada nas extraordinárias que aprovaram o IPTU, Claudia Messias (PTB) tem elevado o tom nos últimos dias em defesa do governo. Em uma das declarações ela afirmou que finalmente um gestor teve coragem de colocar um projeto que há mais de 66 anos não era realizado em Bagé. E pediu que cada um respeitasse a opinião do outro e que os vereadores são representantes do povo. E lascou uma resposta para o grupo contrário ao projeto - composto por empresários. " Vocês não me conhecem, mas os bairros me conhecem", asseverou.

Os outros dois vereadores que assumiram vagas como suplentes, Cláudio Figueira da Silva (Xuxa) e Faustina Campos - ambos do PTB - tiveram que sair no dia da votação para a volta dos titulares Graziane Lara e Michelon Apoitia Garcia - também do PTB.

Cacetada no abaixo-assinado

Michelon, que retornou no dia da votação para elevar o tom em defesa da proposta do governo, foi categórico em uma declaração de voto, ao desafiar a oposição e o grupo contrário que estava na galeria, que afirmam ter em torno de 30 mil assinaturas contrárias ao projeto. O vereador disse que se Bagé tem em torno de 124 mil habitantes, então o projeto conta com cerca de 90 mil moradores de Bagé.

E sobre as críticas aos vereadores, ele respondeu. "Aqui estão os verdadeiros representantes do povo" e desafiou o grupo opositor que estava nas galerias a colocar o CPF para disputar uma eleição.

 

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