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Caso Ceolin

Réus são condenados por envolvimento na morte de empresário

Foto: Luciano Madeira
Esse é um dos julgamentos mais longos de Bagé

O primeiro dia do julgamento dos réus Marcos Silva, Jorge Luís Ferreira Bejeres, Carlos Alberto Arce Silva e Eraldo Ojeda Soares, que começou na manhã de quarta-feira, terminou por volta das 22h30min. Durante todo o dia e início da noite, foram ouvidas as testemunhas de acusação e de defesa. Às 20h30min, a juíza Paula Ferraz informou que, ainda naquela noite, três réus seriam ouvidos e Soares seria interrogado na manhã de ontem - porque está internado na Santa Casa de Bagé. Eles eram acusados de envolvimento na morte do empresário Márcio Juliano Ceolin.

O primeiro a ser ouvido foi Jorge Luís Ferreira, de 36 anos. Ele contou que estava com o amigo Carlos Alberto Arce Silva bebendo em um bar no dia do crime, quando chegou uma mulher e lhe entregou um revólver e pediu para ele dar um susto em uma pessoa. Segundo o depoente, o susto seria dar um tiro na perna ou no ombro e, por esse serviço, ele receberia R$ 5 mil. Falou que foi até a casa da vítima e, quando chegou na frente da residência, se arrependeu e retornou para o bar e devolveu o revólver para a mulher. Ele negou envolvimento no crime e que ficou sabendo da morte só no outro dia.

Carlos Alberto Arce Silva, de 48 anos, afirmou que não teve nenhum envolvimento no crime. Ao ser perguntado pela juíza porquê estavam o acusando de ter participado do crime, Arce respondeu que talvez seja porque ele, na época, teve um relacionamento com a mulher de um dos acusados.

Quando perguntado pelo promotor se ele conhecia a mulher que lhe entregou o revólver para dar o "susto" na vítima, ele disse que sim, porque o referido bar era um local de prostituição. Silva negou que tenha pago mototáxi para outro acusado ir até a casa de Ceolin. "Eu nunca dei dinheiro para ninguém matar outra pessoa", assegurou. Mas disse não lembrar onde estava na noite em que aconteceu o crime.

"Não mandei matar"

Por volta das 22h, começou o depoimento de Marcos Silva, acusado de ter mandado matar Márcio Juliano Ceolin. Ele disse que é a primeira vez que responde um processo e que a sua vida virou um inferno desde outubro de 2006. "Foi aí que começou a minha saga, porque naquela noite eu apenas dei uma carona para a minha colega de trabalho, esposa da vítima, porque ela estava visivelmente embriagada", alegou.

Contou que, no meio do caminho, parou em um posto de combustível para ela ir ao banheiro e que depois a deixou na frente da casa dela. Falou que, dias depois, Ceolin ligou para ele por causa da mulher. "Podem me acusar de qualquer coisa, até mesmo de mulherengo, mas de assassino não. Eu não mandei matar ninguém", afirmou.

No final de seu depoimento, o réu olhou para o local onde estavam sentados os familiares de Ceolin, deu um tapa na mesa e reafirmou: "Eu não mandei e nem matei o Márcio".

Reações no tribunal

Enquanto Marcos Silva estava depondo, a sessão foi interrompida porque uma mulher, que é parente da vítima e estava assistindo a sessão, disse que tinha sido ofendida pelo irmão do réu, que estava acompanhando o julgamento. Minutos depois, enquanto Marcos Silva ainda estava sendo ouvido pelos representantes do Ministério Público e o seu advogado de defesa, o irmão da vítima começou a discutir com o promotor Eugênio Amorim e aí ele foi retirado do salão do júri pela Brigada Militar.

Depoimento no hospital

Na manhã de ontem, os trabalhos foram reiniciados com o depoimento por videoconferência de Eraldo Oljeda Soares, de 61 anos, que está internado na Santa Casa de Bagé. Ele contou que é compadre de Marcos Silva e que nunca recebeu dele. Falou que não conhecia a vítima e nem sabia onde ela morava. E que ficou sabendo que tinha acontecido um crime em Bagé através da imprensa.

Policiamento reforçado

Durante os dois dias de julgamento, foi pedido reforço do efetivo da Brigada Militar. Normalmente, nos julgamentos que acontecem nas terças e quintas-feiras, apenas dois policiais militares fazem a segurança. Desta vez, nove policiais fizeram a segurança.

Experiente promotor

Eugênio Paes Amorim, considerado pela imprensa gaúcha como um dos mais experientes promotores de Justiça do Rio Grande do Sul, atuou no julgamento dos quatro réus em Bagé ao lado do promotor Carlos Frederico Lang. Ao ser questionado pela reportagem do jornal Folha do Sul porquê ele estava atuando nesse caso em Bagé, Amorim respondeu que isso é normal, porque não seria justo um julgamento dessa magnitude com quatro advogados de defesa contra apenas um promotor. Segundo ele, nesses casos, o Ministério Público envia outro promotor para atuar junto. "E aqui estou porque fui convidado pelo Lang, que é meu amigo, e eu aceitei", disse.

Condenação

Após o fim dos interrogatórios dos réus, começaram os debates entre defesa e acusação: após dois dias de julgamento - foram 13 horas só nesta quinta-feira - os quatros réus acusados de envolvimento na morte de Márcio Juliano Ceolin foram condenados. As penas devem ser cumpridas em regime fechado: Jorge Luís Ferreira Bejeres foi condenado a 16 anos e 9 meses; Marcos Silva, Eraldo Ojeda Soares e Carlos Alberto Arce a 15 anos e 2 meses. 

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