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Júri

Réus são condenados por crime na praça Esportes

Foto: Divulgação
Segurança reforçada no entorno do Fórum

Na quinta-feira, aconteceu o julgamento de Marcus Diego Brignol Vaz, 35 anos, e de Gabriel de Souza Nobrega, 33 anos. Eles foram para o banco dos réus sob a acusação do homicídio de Jhonatan da Rosa Gomes. O crime aconteceu no dia 18 de maio de 2020, na avenida Sete de Setembro, em frente a Praça de Esportes.

Após 11 horas de julgamento, Nobrega foi condenado a 18 anos de prisão em regime fechado e Vaz a 20 anos, também em regime fechado.

Com um forte esquema de segurança por parte da Brigada Militar, no interior do salão do júri e com a interrupção da rua Bento Gonçalves, na frente do fórum, o julgamento começou por volta das 9h15min. Foram ouvidas apenas duas testemunhas arroladas pelo Ministério Público.

O primeiro policial civil a ser ouvido disse que a equipe de investigação da 2ª Delegacia de Polícia, junto com a delegada titular Carolina Terres, foi avisada que tinha ocorrido um homicídio na avenida Sete de Setembro. Ele relatou que, naquela madrugada, tinha mais de 300 pessoas na rua e aí houve um acidente de trânsito e começou uma briga generalizada. Segundo o policial, foi nesse momento que Gabriel Nobrega efetuou os disparos que mataram a vítima e depois fugiu em direção a rua Barão do Triunfo, onde acabou roubando uma moto de um mototaxista.

O policial disse que, quando chegaram

ao local do crime, identificaram a vítima e já começaram os trabalhos de investigação, ouvindo algumas pessoas que estavam ali naquela madrugada.

O segundo policial ouvido disse que não participou das investigações porque estava trabalhando na equipe de reforço, na cidade de Dom Pedrito, mas que foi chamado para analisar o telefone do preso. Segundo ele, através dessa análise, foram encontradas várias conversas via WhatsApp entre Gabriel e Marcus Diego. De acordo com o depoente, em uma dessas conversas, Gabriel teria dito para Marcus Diego: "Viu, tu não acreditava em mim". E Marcus teria respondido: "Sempre acredite. Tu é um monstrinho. Matou o cara com quatro tiros".

O advogado de defesa de Marcus Diego perguntou para o policial se tinha algum áudio em que aparecia o seu cliente ordenando que Gabriel matasse a vítima e o policial disse que não.

"Matei para defender a minha família"

Antes de começar a ser ouvido, o advogado de defesa de Gabriel Nobrega disse para a juíza Naira Melkis Pereira Caminha que o réu não iria responder as perguntas do promotor e dos jurados.

Nobrega confessou que matou Jhonatan da Rosa Gomes porque ele estava sendo ameaçado de morte. Contou que ele e a vítima trabalhavam para o mesmo traficante.

O réu relatou que tinha parado de traficar, mas que estava devendo cerca de R$ 6 mil e sendo ameaçado de morte por isso. Além disso, estava sendo coagido para que pagasse a dívida ou a família dele poderia ser morta.

Gabriel disse que a ordem para que ele matasse partiu de um homem que era traficante e estava preso no Presídio Regional de Bagé. Ao ser perguntado pelo seu advogado de defesa o motivo pelo qual apenas agora, no júri, ele havia falado, o réu disse que nunca falou por medo, mas que, como esse traficante morreu há cerca de cinco meses, resolveu esclarecer. Gabriel disse que nunca recebeu ordens de Marcus Diego para matar ninguém.

Depoente diz que tem 60 processos

Marcus Diego também respondeu perguntas apenas do advogado de defesa. Ele disse que não tem nada a ver com a morte de Jhonatan Gomes e negou ser o mandante. Vaz disse que é taxado de chefão do tráfico em Bagé pela polícia e emendou dizendo que Bagé é uma das cidades mais seguras do Estado.

O depoente afirmou que teve o primeiro contato com Gabriel Nobrega no julgamento de quinta-feira e que conhecia o traficante que morreu há cerca de cinco meses porque ele tinha sido preso em uma operação policial com 50 quilos de droga. E contou que, no Presídio Regional de Bagé, tem galerias divididas por facções. Ele também acusou a mídia e um delegado de transformá-lo no monstro que a sociedade acha que ele é. "Eu tenho 60 processos, sendo 57 por tráfico de drogas e três por homicídio, mas nunca dei um tiro em ninguém", disse o réu.

O advogado de defesa de Gabriel de Souza Nobrega, Artur Jardel de Oliveira Soares, disse que conheceu o réu no dia do julgamento e que ficou surpreso com a declaração do cliente sobre quem teria sido o mandante do crime. "Claro que o Gabriel vai ser condenado, porque ele confessou o crime para defender a família, porque ele estava devendo e vinha sendo ameaçado de morte. E ainda sua esposa e seu filho também foram ameaçados. Ele é réu confesso", afirmou o advogado.

Durante uma hora e meia em que usou para defender Marcos Diego, o advogado Hermes Alexandre Rockemback disse que, em nenhum momento do processo, aparece a ordem de seu cliente para matar Jhonatan. "Que motivo o meu cliente teria para mandar matar a vítima se quem estava devendo era Gabriel, que confessou o crime e disse que o mandante seria um ex - presidiário, que acabou morrendo há cerca de cinco meses?", questionou.

Rockemback disse que Marcos Diego está pagando pelos crimes que cometeu, mas, no caso do homicídio de Jhonatan, ele é inocente. Passava das 18h quando o promotor Frederico Lang começou a sua réplica e depois teve a tréplica. Até o fechamento desta edição, o julgamento não tinha terminado.


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