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Briane Machado

O amor é para todos

Eu poderia ter escrito um textão sobre o Dia dos Namorados e dizer o quão importante é essa data para inúmeras pessoas.

Podemos acompanhar várias declarações em redes sociais, fotos apaixonadas, momentos que foram importantes para tantos casais. 
Muitos expuseram sua felicidade de forma genuína - receberam comentários, curtidas e mensagens de apoio por tanto amor e cumplicidade. 
Realmente, uma data comemorada, registrada e postada - com todo direito. 
Entretanto, fico pensando nas outras inúmeras pessoas que vivem amores imensos, com respeito mútuo e que poderiam ser utilizados para escrever grandes roteiros hollywoodianos, mas que são expurgadas da sociedade por não ter como base aquilo que muitos pregam.
O amor - aquele vivido na sua forma mais clara e simples - não permeia desafios, desavenças, atendimento de costumes que nem se coadunam mais com o "modelo" retrógrado do que pode ou não ser aceito. 
Vivemos tempos difíceis. Encontrar o amor que arrebata, que faz a vida ser mais fácil (pelo menos, dentro do próprio relacionamento) é mais difícil que acertar os seis números da Mega Sena.
Poucos receberão esse privilégio na vida. Poucos desfrutarão do amor descomplicado. 
O amor impossível que vemos em filmes, em que é necessário lutar muito para, quiçá, alcançar a felicidade depois de tanta peleja retira o brilho do que era para ser fácil. 
E isso que achamos lúdico é, na verdade, o prenúncio do desgaste. 
Muitos casais enfrentam verdadeiros desafios que necessitam da aceitação externa, do preconceito enraizado, da dificuldade em frequentar lugares sem receber um olhar torto, uma piada sem graça, para não contextualizar as formas mais agressivas de tratamento. 
Comentários desnecessários são feitos para promover a possibilidade de chamar a atenção do que deveria passar em branco, como qualquer outro casal que passeia de mãos dadas pelas ruas da cidade. 
Por qual motivo a felicidade alheia deve ser motivo de chacota entre grupinhos? Qual é o sentido de inviabilizar o amor de quem tem o mesmo direito? 
Vivemos uma miscelânea de configurações onde pessoas heterossexuais sempre foram devidamente respeitadas. Porém, o contrário nem sempre acontece. 
O amor, em todas as suas formas, é digno de respeito, de contemplação, de ser vivido plenamente. 
Ainda se ouve o discurso de quem "é contra, mas respeita", de quem "não quer isso para o seu filho", de quem "não suporta", de quem "não tem nada contra, desde que não mexa comigo". 
Até quando o amor poderá ser comemorado por alguns e escondido por outros?
Qual é o privilégio de quem decide o que pode ou não acontecer na sociedade?
Quem dita as regras e por quem devem ser obedecidas?
A plenitude somente acontecerá quando todos puderem exercê-la sem medos, sem entraves. 
Amor é respeito.

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