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Briane Machado

A (des)necessidade de alterar a fórmula

"Procurar exemplos, conselho e orientação é um vício: quanto mais se procura, mais se precisa e mais se sofre quando privado de novas doses da droga procurada. Como meio de aplacar a sede, todos os vícios são autodestrutivos; destroem a possibilidade de se chegar à satisfação. Exemplos e receitas são atraentes enquanto não testados. Mas dificilmente algum deles cumpre o que promete - virtualmente, cada um fica aquém da realização que dizia trazer.". 
Esse é o pensamento de Zygmunt Bauman retratado no capítulo "A compulsão transformada em vício" presente na obra "Modernidade Líquida".
Durante a nossa jornada de vida, procuramos estabelecer parâmetros condizentes com o que sentimos - mesmo que de forma inconsciente. Estamos fadados a buscar alternativas e meios para nos encaixarmos no que temos por correto, pois, em algum momento ao longo do desenvolvimento humano, nos falaram que o certo seria seguir aquelas premissas e não o que entendemos por ideal com base no que somos e sentimos ou gostaríamos de ser. 
Não se trata de burlar leis, de utilizar mecanismos que venham a denegrir a si ou prejudicar o coletivo, mas de nos encontrarmos enquanto seres humanos dotados de habilidades, sentimentos e vontades que, muitas vezes, não correspondem ao que os demais querem, única e exclusivamente por sermos todos diferentes entre si. Acredito que não somos todos iguais, mas sim, semelhantes. 
Querer se igualar é buscar meios de autoflagelo: não queremos ser iguais aos demais, mas corremos em busca de aprovação social. 
Desta forma, buscar conselhos, procurar exemplos nada mais é do que a necessidade constante de querer encaixar as próprias diferenças onde nada é igual. 
Depois de muitos séculos de desenvolvimento humano, ainda buscamos, constantemente, a aprovação de pessoas que nem nos conhecem. Todos nós temos conflitos internos em evidência, em diferentes âmbitos, mas eles estão lá, esperando o reparo, a autoaceitação.
E, na maioria das vezes, não estamos preocupados com o próprio bem-estar, mas com o que os demais irão dizer sobre a vida que nos pertence. 
A necessidade de aceitação coletiva nos leva a buscar mecanismos que nos viciam, de certa forma. Não importa qual vício acompanha a trajetória do autoconhecimento, o cerne está na fuga da realidade, simplesmente, por precisar "agradar" a padronização irreal que foi imposta ano após ano, dia após dia para trazer o sofrimento à tona.
Aqui, não falamos somente do consumismo relatado por Bauman, mas da necessidade de aceitação como um todo. 
E, trazendo mais um de seus brilhantes pensamentos: "nenhum dos prêmios é suficientemente satisfatório para destituir os outros prêmios de seu poder de atração, e há tantos outros prêmios que acenam e fascinam porque (por enquanto, sempre por enquanto, desesperadamente por enquanto) ainda não foram tentados. O desejo se torna seu próprio propósito, e o único propósito não contestado e inquestionável.".
Logo, o desejo de alcançarmos aquilo que muitos têm, nos leva a questionar a própria essência. 
De forma inconsciente, queremos ter e, muitas vezes, ser aquele modelo socialmente moldado. O fardo se apresenta quando entendemos que aquilo tudo é momentâneo: ninguém consegue manter por muito tempo a essência que não lhe pertence. 
Com o passar dos anos, entendemos que tudo que não faz parte de nós ou não se encaixa de forma genuína na vida, é perda de tempo e energia, logo, não nos acrescenta, pelo contrário, nos rouba momentos que poderiam ser verdadeiramente lembrados. 
Queremos legitimidade.

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